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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Vibração Obaluaê

Aspectos Gerais da Vibração
Entenda-se, antes de mais nada, que a Vibração Obaluaê é uma vibração derivada, subvibração da Linha de Yorimá que congrega em suas fileiras os Pretos Velhos e os Caboclos de Obaluaê. Fica claro, então, que Obaluaê não é uma divindade, nem uma entidade individualizada como muitos costumam acreditar, mas tão somente uma falange que congrega Caboclos especializados em algumas áreas de atuação no campo espiritual. Entre as ordenações da Vibração Yorimá – ligada principalmente à psique humana – encontra-se a força para suportar as provações inexoráveis provenientes do Carma, que conduzem às grandes transformações de nossa personalidade, tornando-nos seres melhores, mais humanos, mais próximos de Deus. É nesse campo que atua a vibração Obaluaê. Dela provém a força que necessitamos nos momentos de dor, aliada à compreensão de que, por mais penosa que nos seja a prova, algo melhor nos aguarda ao final. Impossível esquecer que no rol das provações e das dores que atingem os seres humanos, figuram as doenças em geral. Fácil, então, entender a razão pela qual Obaluaê é conhecido por muitos como “Orixá da Doença”. Na verdade, entre as atribuições dessa falange figura a de trazer o bálsamo àqueles que se encontram atingidos por males físicos de qualquer natureza. Sua atuação é também determinante no momento do desencarne, pois a energia oriunda da vibração auxilia no rompimento dos elos fluídicos que prendem o espírito à matéria, razão que levou Obaluaê a ser conhecido também como o “Orixá da Morte”. Sua influência sobre os encarnados se dá através do Chakra Muladhara, ou Plexo Pélvico, cuja representação gráfica encontra-se à esquerda.
Na Umbanda, como já foi mencionado, é uma falange de Caboclos. Não sabemos quem lidera a falange, mas as referências a São Lázaro e a São Roque, a rigor são apenas herança do sincretismo religioso, visto que os escravos eram obrigados a usar imagens de santos católicos a fim de poderem cultuar, em essência, seus Orixás.
Esclareça-se, também que, ainda que sejam falanges diferentes, não há na Umbanda diferenciação entre Obaluaê e Omulu, sendo os dois nomes apenas variações para indicar uma mesma vibração. Há, inclusive, pontos cantados que confirmam essa afirmação, na medida em que utilizam os dois nomes no mesmo ponto, fazendo referência à mesma vibração. Assim, cabe ressaltar que a diferença entre um orixá velho e um orixá jovem é resquício dos cultos originais de Nação, até porque, como já acentuamos inúmeras vezes não existem Orixás personificados, portanto não existem Orixás velhos ou jovens; Orixás são vibrações e não tem idade cronológica. Tudo isso vem no intuito de desmistificar essa falange tão importante, de trabalhadores tão dedicados e iluminados, que, infelizmente vivem cercados de misticismos primitivos, de crendices inadequadas e de medos injustificados. A vibração dos Caboclos de Obaluaê é uma vibração de amor, de força, de ânimo, de superação das dificuldades. Não há razão para temê-los ou para tratá-los como entidades cercadas de mistério. É preciso que as pessoas conheçam Obaluaê e aprendam a melhor comungar com as emanações dessa vibração de Luz.
Como não se trata de uma Linha, em seu sentido mais literal, Obaluaê não possui sete Chefes de Legião. Na verdade, a falange está compreendida dentro de uma das Legiões da Linha de Yorimá.
Como bem já se falou anteriormente, Obaluaê é uma falange de Caboclos, por isso, num trabalho de Umbanda, quando se canta para Obaluaê, as entidades que se manifestam nos médiuns são sempre Caboclos; não são divindades mitológicas trazendo poderes mágicos em objetos repletos de fetiches.
Esses Caboclos encontram-se geralmente no grau de protetores, o que os coloca na condição de integrantes de grupamento: espíritos mais evoluídos do que nós, mas ainda sujeitos à Lei de Reencarnação, que se encontram trabalhando nas legiões umbandistas com o objetivo de praticar a caridade nos moldes em que o Cristo a preconizou, contribuindo, dessa forma para o nosso adiantamento e para o deles próprios.
Essa, aliás, e uma das grandes marcas da sabedoria de Deus, revelada pela Umbanda Sagrada: irmãos ainda carentes de aperfeiçoamento, ajudando-se nos dois planos da vida, para que juntos se aperfeiçoem e progridam no caminho da evolução espiritual. É a magia da fraternidade.
Esses Caboclos assumem nomes diversos. A título de exemplificação, vamos citar alguns:
Caboclo Arranca Toco*, Caboclo Vira Mundo*, Caboclo Urutu, Caboclo Grajaúna*, Caboclo Jupuri*, Caboclo Yucatan*, entre outros.(1)
Os Caboclos de Obaluaê se manifestam de modo diferente da maioria dos demais caboclos: chegam encurvados, como se fossem pretos velhos e caminham como se estivessem se apoiando em uma bengala. Esse arquétipo deriva do fato de que muitas dessas entidades foram em encarnações passadas pajés e feiticeiros de algumas tribos, tendo, por isso mesmo desencarnado com idade avançada e já fisicamente bastante debilitados pela idade. Por outro lado, essa mesma longevidade, além da função que exerciam lhes assegurou um vasto conhecimento manipulatório o que os converteu em, por assim dizer, grandes "magos".
São sempre muito misteriosos, falam pouco e sua especialidade é a cura, que eles efetivamente realizam, desde que haja merecimento da parte do consulente.
Na essência, nem todos tiveram encarnações como indígenas e, quando tiveram, não foi necessariamente a última. São médicos e enfermeiros experimentados, hábeis no trato com as doenças.
Correspondências Vibratórias da Falange
  • Cores representativas: Preto e branco.
  • Dia da semana favorável: Sábado.
  • Astro correspondente: Saturno.
  • Signos correspondentes: Capricórnio e Aquário.
  • Nota musical correspondente: Lá.
  • Metal correspondente: Chumbo.
  • Minerais correspondentes: Esmeralda, turquesa, ônix, malaquita, turmalina verde escuro, água-marinha, ametista e sílica-gema.
  • Flor consagrada: Dália escura.
  • Ervas correspondentes: Jurubeba, assa-peixe, canela de velho, sabugueiro, erva de passarinho, babosa e mamona branca (existem outras, mas aqui indicamos sete que podem ser usadas para banhos e amacis).
  • Data comemorativa: 17 de dezembro.
Instrumentos de Culto.

Na Umbanda, o único instrumento de culto utilizado pelos Caboclos de Obaluaê é a guia, confeccionada em contas de cristal brancas e pretas.

Pontos Cantados.

Os pontos cantados para Obaluaê em geral apresentam ritmos equilibrados, nem excessivamente rápidos, nem tão lentos como os de Pretos Velhos. As letras se constituem em verdadeiros hinos de louvor à força dessa Vibração.

Pontos Riscados.

Os pontos riscados na Vibração Obaluaê obedecem às normas da chamada "Grafia dos Orixás", fazendo a identificação das entidades através dos sinais de "flecha", "chave" e "raiz". Infelizmente, não dispomos de um exemplar de ponto riscado dessa vibração, a fim de ilustrar esta página.

Saudação a Obaluaê.

A saudação à Vibração Obaluaê é: "A tô tô, Obaluaê!"

(1) Todos os nomes de Caboclos marcados com asterisco foram copiados do site Missão Umbanda: A Verdadeira Umbanda e sua Sincronicidade, acessível em http://chamatrina.wordpress.com/2008/06/26/quem-sao-os-caboclos/

6 comentários:

maria angélica disse...

Olá....
Sou umbandista e gostaria de saber qual é o símbolo do orixá obaluae. Ficarei muito grata com á atenção de vcs...

Jorge disse...

Cara Maria Angélica,

Você fez uma pergunta bastante objetiva, mas que tem uma resposta relativamente complexa: Normalmente, em grande número dos centros de Umbanda, as pessoas responderiam que o símbolo de obaluaê é o Xaxará, que é aquela vassoura feita com folhas de palmeira, que teria como função varrer as doenças espirituais. Este, contudo, é um símbolo típico dos cultos de nação, ligado à tradição africanista, mais característico do Candomblé.
Na Umbanda, a vibração Obaluaê está enfeixada na Linha de Yorimá, que também é a linha que congrega os Pretos Velhos, por isso, na vertente umbandista, o melhor símbolo da vibração Obaluaê é o Cruzeiro das Almas. Na prática, qualquer cruz pode simbolizar, já que o Orixá rege os carmas, as necessidades de resgate que justificam o processo reencarnatório capaz de levar à redenção do espírito. Como a cruz, desde Jesus, tornou-se um símbolo de redenção pelo sofrimento, este pode ser considerado um símbolo universal da vibração Obaluaê.
Caso você deseje fazer um estudo mais aprofundado sobre os Orixás, inclusive Obaluaê, eu lhe indico o livro Os Orixás na Umbanda e no Candomblé, de Diamantino Fernandes Trindade, Ronaldo Antonio Linares e Wagner Veneziani Costa, pois o mesmo é muito abrangente e é redigido numa linguagem bastante agradável.
Ao lado disso, pode continuar nos perguntando sobre quaisquer dúvidas que você venha a ter. Tenha certeza de que, se soubermos, teremos o maior prazer em responder, pois essa é a missão dessa página e desse grupo: contribuir para o crescimento de nossa amada Umbanda.

Que Oxalá te abençoe.

Muito Axé.

Anônimo disse...

Boa tarde... gostei muito das informações aqui adquiridas e gostaria de saber se vc tem mais informações a respeito do Caboblo Urut...
Fico grato desde ja...

Andre (algeronymo@hotmail.com)

Coordenador disse...

Caro André, Saudações em Oxalá!

Desculpe-nos a demora na resposta, mas a questão demandou alguma pesquisa.
O Caboclo Urutu não trabalha entre as entidades que atendem no NEU, por isso muito pouco sabemos a seu respeito.
Contudo, há três aspectos que podemos salientar com certeza;
Primeiramente, os caboclos que atendem por esse nome enfeixam-se na vibração de Obaluaê, sendo, portanto, entidaes especializadas em trabalhos voltados para a saúde, mais especificamente para a cura de doenças físicas.
Em segundo lugar, existe um Caboclo Urutu que atende em algunas casas no Brasil que tem se notabilizado por realizar curas dificílimas de doenças como o câncer, por exemplo.
Em terceiro lugar é importantíssimo lembrar que sob um mesmo nome de caboclo atendem diversas entidades diferentes. Muitas vezes um nome pode ser o da falange e, nesse caso, muitos membros daquela falange preferem usar o nome genérico, por questões de humildade e de despersonalização. Assim, é difícil falar sobre um caboclo em particular, a partir de seu nome, pois poderíamos estar falando sobre o nome da falange em si.
No caso de este ser um Caboclo que trabalha na sua mediunidade, o melhor meio de conhecer mais detalhes sobre ele é pedir a um cambono, por exemplo, que interrogue da própria entidade sobre as particularidades de sua identidade e personalidade.

Esperamos ter sido úteis.
Caso tenha outras dúvidas, pergunte-nos e procuraremos atender, na medida de nossos conhecimentos e possibilidades.

Um grande abraço.

Oxalá nos abençoe e ilumine.

Anônimo disse...

Boa tarde!

Primeiramente, mues parabéns pelo site, muito conteúdo interessante de se ler.

Estou aprendendo sobre a umbanda há muitos anos e já senti aproximaçãoes ou mesmo incorporações conscientes de entidades, especialmente de exus. Minha esposa que possui uma clarividência muito mais fluida, alega ter visto o exu caveira, ou mesmo alguem da falange por se tratar de entidade com cabeça de caveira. Pelo que li aqui, não se trata de um exu, então e sim de um caboclo, para minha surpresa! Está correto o meu entendimento? Não existem exus na linha de omulu/obaluê?

Desde já agradeço a atenção, um forte abraço.

Coordenador disse...

Caro Irmão,

Primeiramente desculpamo-nos pelo atraso na resposta.
Sua dúvida é pertinente e decorre de um pequeno mal entendido: na Umbanda, Obaluaê está no campo das vibrações. Trata-se de uma legião de Caboclos que trabalham na polaridade positiva da linha. Todas as linhas de Umbanda possuem uma contraparte na vibração negativa que é composta de Exus. Assim sendo, todas as linhas, de Caboclos, de Pretos-Velhos e de Crianças possuem legiões de Exus que trabalham sob suas ordens. Seu caso parece ser bem típico, pois os Exus das falanges dos Caveiras trabalham sob as ordens dos Caboclos de Obaluaê. É muito provável que seu Exu Guardião seja um Caveira.
Esclarecido?
Grande abraço.

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